quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

o que hoje somos...

Em conversa com uma pessoa muito importante na minha vida desabafei sobre o que agora venho aqui pôr a nu. É impressionante como o ser humano é uma construção de vivências e experiências. Não nego claro a forte componente genética e ambiental que estão também na base do que somos hoje. Não nego isso porque nelas acredito, porque sobre elas tenho formação que me permitem ter a sensibilidade de perceber a sua importância. Mas enquanto pessoa de tenros 23 anos também já tenho experiência que me permita dizer que realmente o que somos no momento é fruto do que vivemos no passado.
Claro que as pessoas se mudam e se transformam ao longo da vida. Um processo designado vulgarmente por aprendizagem. Mesmo quando parece que não aprendemos com os erros do passado. Mas de qualquer das formas, mesmo quando parece que uma situação ou uma experiência não trouxe nada de novo ou de construtivo à nossa vida ainda assim ela está a modular quem seremos de futuro.
Às vezes as experiências do passado trazem coisas boas à nossa vida futura, outras vezes nem por isso. E se bem que subjectivo parece que trazem mais é sentimentos negativos que modulam a atitude que temos perante uma situação. Há quem diga que, por exemplo, ter medo de arriscar, ter medo de se entregar por completo, agir com calma e de forma ponderada pode ser uma qualidade, uma mais valia. Por oposição, há quem ache que isso é negativo. Que nos faz viver de forma mais retraída e que tal nos inibe um pouco de vivermos da forma intensa como seria esperado. Mas então... qual será o meio termo? Como é que decidimos o quanto nos devemos entregar de corpo e alma e que confiança devemos depositar na outra pessoa? Será que ela nos apanha se cairmos?!
Experiências passadas que alguns de vós estão ao corrente fizeram me duvidar em primeiro lugar de mim mesma. Eu sei. Não precisam dizer que isso é péssimo porque isso eu sei. Estou a tentar mudar esse ponto. Depois fizeram me também duvidar da sinceridade das pessoas que nos rodeiam. Eu também sei que cada pessoa é uma pessoa e que nem todos os homens são feios, porcos e maus. Sei disso tudo. Mas o inconsciente é que me lixa. Numa pessoa que ande à procura de amor, como se poderá ela abstrair de todas as desilusões que já sofreu? Como sabe uma pessoa que uso deve dar à experiência que já vivenciou? Infelizmente as coisas não são como nos contos de fadas. As pessoas que nos magoam ou que nos fazem feliz não aparecem sobre a forma de lobo mau ou de principe num cavalo branco, nem tao pouco sobre a forma de princesa bonita e bruxa má. Assim, como sabemos nós em quem acreditar? Acreditamos no nosso instinto? e se ele já nos atraiçoou?
Atiramo-nos de cabeça na vida, em projectos, em relações, em amizades, vezes sem conta. Muitas vezes sem sucesso. Criamos expectativas, idealizamos, projectamos e no fim nem metade se concretiza. E se muitas pessoas nos fazem feliz outras tantas nos fazem sentir na merda. Até que parece que chega um dia que o nosso cérebro faz um click e se põe a pensar sobre isto tudo (que é o meu caso... provavelmente por estar sozinha em casa e não ter nada para fazer). Se chego a algum lugar com isto tudo? Obviamente que não. Caso contrário este raciocinio mental tinha sido feito apenas no meu cérebro e eu chegava aqui e escrevia as minhas "conclusões". Mas infelizmente nem tudo é um problema cientifico onde se coloque uma hipotese e se estabelece uma metodologia para tentar dar resposta à nossa questao. Ou se assim o fôr neste estudo não há lugar para conclusões, apenas para resultados dúbios que a única coisa que permitem é criar novas questões e muita, muita discussão. Mas... como continuo sem trabalho e estou sozinha em casa resolvi vir aqui partilhar qualquer sentimento que não seja assim tão parvo e fútil quanto isso com vocês.

2 comentários:

Aware disse...

O raciocínio está todo correcto e as emoções também! Quanto à conclusão so falta recordar o que já sabes...todos os falhanços não ultrapassam as vitórias por muitos que eles sejam e por muito poucas que elas sejam, são sempre muito valiosas. É esse valor que temos sempre de recordar especialmente quando nos sentimos assim...olhar para trás só é bom para ver o quanto já se andou e nunca esquecer que os olhos têm de ser postos no futuro sem medo de confusões ou enganos, porque eles virão e sabes que és forte para ultrapassá-los porque já o fizeste antes verdade?

:) um abraço

Joao Bispo disse...

Também ia comentar, mas a Aware adiantou-se-me =)

A frase que me fez saltar da cadeira (na realidade não, porque já estava de pé) foi esta:

"Assim, como sabemos nós em quem acreditar? Acreditamos no nosso instinto? e se ele já nos atraiçoou?"

Nós temos um cérebro maravilhoso que faz um trabalho incrível em tentar aperceber-se da realidade tal como ela é. O que não quer dizer que o consiga sempre... apesar de tudo falha muitas vezes.

Por isso é que é tão importante perceber o que é que sentimos, e porque o sentimos. Pensar nisso e falar disso. Portanto nós não temos que "acreditar" no nosso instinto. Temos que ouvi-lo, perceber o que diz, e ver se faz sentido. Ele não é infalível, nem de perto, mas pode ser um bom orientador, indicar ao que é que devemos prestar atenção.

E de certeza que tu agora não és a mesma pessoa que eras. Estamos sempre a aprender, e se possível, a aproximarmo-nos da realidade. Mas isto também porque sou daqueles que acha que quanto mais perto da realidade conseguirmos estar, melhor para nós. =)