Como alguns de vocês, queridos leitores, comigo desde os primórdios deste blog, conhecedores da minha personalidade sabem bem que o que por aqui alvitro são sempre ideias, opiniões que são fruto da minha experiência pessoal diária ou das toxinas do meu corpo ao chegarem ao cérebro.
Este post é mais uma vez resultado de uma experiência pessoal mas que com certeza muitos de vocês estarão a acenar a cabeça em significado de concordarem comigo ao lerem este pequeno texto pois acredito que se tenha passado com vocês o mesmo diversas vezes.
Foram inúmeras as vezes em que após dizer algo (em voz alta) o meu cérebro responde de imediato "mas porque é que eu não fiquei calada?". Isto acontece-me nas mais variadas situações e a verdade é que como todas elas são distintas o erro repete-se. Mas costuma-se dizer que o que está dito, está dito e dado que em nenhuma dessas situações magoei alguém, penso que as consequências não terão sido graves. Até porque devo dizer que 99% das vezes em que isto acontece são situações apenas embaraçosas, ridículas e que chegam mesmo a ser cómicas.
Situação pior é quando deixamos de dizer algo. Já vos aconteceu de certeza ter tido a oportunidade de dizer algo e não percebem porquê mas a vossa boca não abre. Vocês ficam a pensar no assunto e a acharem se idiotas por não ter falado no momento. Os dois piores momentos nesse sentido aconteceram-me no último ano. Uma das vezes fui "insultada" e não dei resposta (e fiquei a odiar-me porque a minha boca não se abriu naquele momento) e outra mais recentemente em que era uma discussão sobre opiniões pessoais e tema bastante polémico é verdade...
A questão que me coloco é um pouco: quando é que devemos abrir a boca, quando devemos ficar calados e até onde devemos lutar pelo que dizemos? Até à morte...com a minha opinião? Devemos ficar cegos para defender um ponto de vista até à exaustão?
Eu acredito que dentro de um enorme universo de temas passíveis de opiniões distintas os assuntos que mais me provocam cólera e vontade de opinar serão os sociais ou relacionados com questões sociais e antropomórficas. A última experiência que falei era exactamente sobre isso. Eu ouvi muitos comentários maliciosos, duros, ofensivos e não me pronunciei. Achei que valia a pena dar a minha opinião (não!), achei que no entanto deveria mostrar que o meu ponto de vista era outro (sim!). No entanto, acabei por não falar nada e à noite chorei na cama! Porquê? Por ficar revoltada comigo própria. Não partilhava da opinião de todas aquelas pessoas na sala e não fui capaz de na altura dizer nada. Seria crucificada é verdade, ou quais aldeãos queimando a bruxa em plena cozinha da casa de família às direitas... Mas depois fiquei arrasada comigo mesmo. Valia a pena ter dado a minha opinião, nem que fosse para me sentir bem. Estava no típico caso de uma outra geração, com uma outra opinião, vinculada pela sociedade onde vivemos até ainda hoje e não iria mudar a opinião de ninguém mas pelo menos teria valido a pena mostrar que não pensava o mesmo.
Essa experiência aliada a tantas outras que tenho tido levam-me a questionar: até onde estamos dispostos a ir para defender um ponto de vista... O que tenho observado é que o ser humano é mesquinho. Agarra num pequeno detalhe da opinião do outro e esmiúça por ali o máximo que conseguir, fala e quer resposta mas no fundo não quer ouvir, insulta de forma dissimulada a outra pessoa, parte para ofensas pessoais... Valerá a pena defender um ponto de vista sobre... liberdade sexual por exemplo, acabando por sacrificar a liberdade de expressão de cada um? Valerá a pena discutir um assunto, "fortalecer" a ideologia de criticar e questionar as coisas sacrificando um valor moral de não agredir o próximo?! Não sei até que ponto isso valerá a pena. Por isso acho que uma discussão de ideias só vale a pena quando se expõem opiniões e factos de forma paciente, calma, racional. Quando a troca de ideias é feita sem ataques pessoais, sem mesquinhices... mas confesso que às vezes pode ser mesmo complicado evitar. E quando não se consegue evitar... então nesse caso preferia não ter tido aquela conversa.
Como exemplo positivo lembro-me sempre de uma mítica conversa no Kif sobre o que era status social, como se classificava e como isso definia alguns aspectos da nossa vida... Eramos várias pessoas e com diferentes pontos de vista, mas correu bem. Não chegámos a um consenso (se é que isso era possível ou será que seria o propósito da conversa?) mas expusemos as nossas "divergências" sem qualquer outro tipo de "divergência". Por isso vale a pena ter estas conversas... se parte para o ataque pessoal, se a conversa é manipulada pelo conhecimento que temos de "pontos fracos" da outra pessoa... epá não contem comigo!!
Discutir temas com alma e coração, partindo pedra e quem se meter à minha frente... primeiro que nada tem de ser sobre algo importante, de valor ou sobre uma pessoa que o mereça. Depois só o faço enquanto conseguir manter intactos valores que prezo muito como o respeito pelo próximo, a sua liberdade de opinião e expressão.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
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2 comentários:
como bem sabes, eu sofro do mal contrário. penso pouco antes de falar e falo muito. discuto e revolto-me mais. aprendi, nos últimos anos, que o que há a perder é, não a razão, mas a "credibilidade". dito de outra forma, vi-me tantas vezes a contrariar opiniões diferentes da minha e a questionar-me muito aquém do que deveria ser feito para poder falar tão alto. hoje sei, como a minha mãe sempre diz, que se pode dizer tudo, o importante é a forma como se diz. não te cales, não te corroas por sentir que por momentos fizeste parte de uma opinião que não é tua por não teres intervido. mas fá-lo, não até à morte, mas até estares em harmonia com a tua consciência. aprendi, também contigo, a pensar, a ver o outro lado, a ver um caminho diferente. e agradeço-te por isso.
Concordo com o que dizes, no entanto, defendo que se a "defesa" da nossa opinião é feita, através da agressão a outra pessoa... isso está incorrecto. Tal como tu dizes tem a ver com a forma como se fala.
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